Guias

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Hegemonia à base do vício


Apesar dos inúmeros apelos e advertências, parece que o carro funciona como uma droga na mente humana. Os riscos e danos ambientais, o estresse psicológico de engarrafamentos, os gastos do orçamento para sua manutenção não parecem intimidar os viciados em carros. A falsa sensação de poder e a fantasia realizada do desejo fazem do automóvel a máquina mortífera mais vendida nos últimos tempos. É bem verdade que para alguns ele é apenas um hábito, mas que diferença faz se todos estão no poço da subserviência comportamental por uma máquina. A alta capacidade de tornar um indivíduo dele dependente faz girar a grande indústria em busca de cada vez mais viciados. De nada vai adiantar argumentos lógicos e à luz da razão que possam desfazer a vontade e o desejo pelo carro, pois é o entorpecente elaborado de modo industrial, em escala. Assim como campanhas anti-tabagistas, dever-se-ia tomar atitudes governamentais de antipatia e opressão aos seus usuários.... mas e quando é o próprio governo que oferece incentivos? Ah, meu caro, não tem jeito! As atitudes que desmobilizam a cultura do carro não acompanham a velocidade de criação de novos viciados. O caminho do colapso é inevitável, e só ele me parece ser a grande moléstia que poderá salvar ou matar de uma vez por todas aqueles viciados ativos e passivos. Carros sim, mas o número abusivo que se verifica a cada novo dia não dá. Os carrólatras certamente irão precisar de ajuda quando se tornarem órfãos de carro e moto.
Ops, não existe aqui pretensão de campanha contra carros, mas um grande alerta do poder da máquina sobre o homem.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Nobre missão de um cicloturista

Hoje bem cedo me deparei com um cicloturista à beira da rodovia por onde passo ao trabalho todos os dias. O pouco tempo que me restava para chegar ao destino impediu uma conversa mais demorada, entretanto, os cinco ou dez minutos foram suficientes para conhecer um pouco de Guaiçara Martins Kitzinger, natural da cidade de Natal e que já circulou por quase todos os estados brasileiros em sua bicicleta simples com uma adaptação de dois baús daqueles próprios para motocicletas. O Guaiçara é realmente uma figura carismática e senti muito não poder ficar horas a fio em bate-papo sobre suas viagens. Ele carrega uma série de documentos e fotos que são testemunhas de sua façanha, e me falou do seu projeto no combate às drogas por esse Brasil afora. Deixou-me uma cópia de documento obtido na Policia Federal de Três Lagoas/MS como recordação, devidamente autografada, e me encheu de alegria ao ver tanta disposição, coragem e abnegação. Seu destino a partir de agora é seguir ao Ceará, Piauí, Maranhão e chegar até o Amazonas e depois Roraima. Espero que meus leitores espalhados por essas regiões recebam-lhe com carinho. Pela surpresa do momento e pela indisponibilidade de mais tempo não me foi possível bater umas fotos. Duas fotos apenas foram tiradas pelo celular, mas ainda não consegui passá-las ao meu computador. Também vai esse vídeo encontrado na web com uma entrevista realizada na Paraíba!  


domingo, 14 de novembro de 2010

Segurança do ciclista em foco

Notícias vindas de Londres demonstram, no mínimo, uma preocupação por parte das autoridades locais com a segurança dos ciclistas. O que ocorre, porém, é uma desconfiança por parte dos usuários em torno da distribuição de um kit de faixas e adesivos refletores pelos policiais britânicos àqueles que circulam em suas bicicletas por ruas escuras. Os comentários demonstram que durante a campanha por lá realizada o que existe é apenas uma promoção e marketing do policiamento local, o que não vem sendo muito bem aceita. De verdade, o que existe é uma preocupação de todos com a segurança do ciclista sempre vítima de motoristas imprudentes e hostis. A idéia não deixa de ser elogiável, mas o que se precisa repensar de modo mais inteligente é como amadurecer o conceito de mobilidade compartilhada na paz, na boa. Não se pode, de fato, admitir publicamente uma campanha em que se faz guarnecer o mais fraco com medidas paliativas e que não resolvem. Melhor mesmo seria que toda campanha de proteção ao ciclista, no Brasil e no mundo, fosse voltada para inibir os maus condutores de veículos que não respeitam as leis, nem ciclistas e nem pedestres. As bicicletas não representam perigo para o trânsito, o que representa grande risco é o automóvel por seu volume exagerado, peso desproporcional e capacidade de matar pessoas em médias ou grandes velocidades e, portanto, precisa ser o centro das preocupações da sociedade moderna. As vítimas do automóvel já superam a quantidade de mortos em todas as guerras e de muitas doenças conhecidas. Algo precisa ser feito, mas com foco e coragem na resolução desse problema.  

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Bicicleta conceito!

Essas belas bikes, por enquanto, são apenas um conceito, muito embora seu designer, Juri Zaech, esteja tentando realizá-las em protótipos. Espero que seus protótipos se tornem realidade. Uma obra de arte sobre duas rodas! Quer ver mais? Clica aqui.


terça-feira, 9 de novembro de 2010

Um bebê a bordo

É muito comum encontrarmos um desses adesivos colado no vidro traseiro de um automóvel. Seu significado é bastante perturbador quando imaginamos a fragilidade de um pequeno ser dentro de uma grande gaiola metálica a uma velocidade que pode ultrapassar os 100km/h. Esse reflexo intuitivo de adesivar o automóvel é o reconhecimento da própria falta de respeito e cuidado com o outro, pois vivemos num mundo cada vez mais particular e de isolamento com a ausência de preocupação por quem se encontra ao lado. Essa forma individualizada de comunicar e implorar por respeito é o grito de alerta para que se tome mais cuidado no trânsito. Do mesmo modo, todos deveríamos espalhar adesivos em carros, motos e bicicletas e até na testa dos pedestres com os mais diversos apelos: "Uma familia a bordo" ou "Idoso a bordo" ou "Um cidadão a bordo" ou "Estou em minha bike, cuidado" ou "Tem pessoas aqui do lado de fora" ...e por aí vai! O real sentido de tudo isso é lembrar que todos merecemos cuidados, merecemos respeito e segurança em qualquer meio de mobilidade que escolhermos. Todos temos direito a uma mobilidade segura!

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Limite de velocidade polêmico

Foi com espanto que recebi a notícia do novo limite de velocidade para as viaturas policiais que circulam na capital cearense no projeto denominado "Ronda do Quarteirão". A medida adotada pela Secretaria de Segurança está causando (pasmem!) polêmica e antipatia na própria população com a redução do limite para os 50km/h. A justificativa dada é para que se reduza os diversos acidentes gerados por essas viaturas tipo Hilux de aproximadamente R$150.000,00/cada. Outro argumento é a própria segurança de transeuntes e ciclistas quando em rota de colisão durante as perseguições a bandidos na capital alencarina. A perseguição policial em viaturas se torna assim proibida de agora em diante no trânsito de perímetro urbano, e toda e qualquer ação que exija maior velocidade terá de ser autorizada por uma central. As ações de cerco policial terão que ser agora mais inteligentes com o apoio das outras unidades, aliás são mais de uma centena desses super-carros de policiamento. Muito bem, as autoridades por um lado estão dessa forma admitindo que velocidades acima dos 50km/h no perímetro urbano é o grande problema na causa dos acidentes e, obviamente, admitem que guiadores sem treinamento adequado são fatores de risco para nós pedestres e ciclistas...então?!!!... por que não estender tal medida para todos os veículos particulares e assim reduzir por vez o número de óbitos e pacientes em hospitais vítimas de motoristas despreparados e automóveis vorazes que circulam à caça de suas presas urbanas? Numa análise mais detalhada não acredito que a medida adotada esteja diretamente ligada ao benefício de pedestres e ciclistas, entretanto, é algo importante que se deve avaliar com o tempo e utilizar tais informações estatísticas aos futuros gerentes de trânsito do país numa redução definitiva da velocidade para todos os automóveis particulares! 

Fonte:  http://www.opovo.com.br/app/opovo/fortaleza/2010/11/05/noticiafortalezajornal,2060442/viatura-do-ronda-nao-pode-passar-dos-50-km-h.shtml

terça-feira, 2 de novembro de 2010

O poeta e a bicicleta

O título acima se refere ao curta-metragem apresentado este ano pelo projeto Curta Mossoró em grande homenagem ao poeta mossoroense Antônio Francisco Teixeira de Melo. Homem simples, cordelista, bacharel em História e ocupando hoje a cadeira 15 da Academia Brasileira de Literatura de Cordel cujo patrono é o saudoso poeta cearense Patativa do Assaré. Após longos dias ausentes aqui do blog, venho hoje retomar  através do registro desse potiguar que antes de tudo é um cidadão que ama sua bicicleta e a utiliza para diversos fins. Aliás, este ilustre cordelista, iniciou-se aos 46 anos em sua trajetória poética e hoje aos 61 não abandona sua bicicleta companheira de suas andanças. Muitas de suas viagens ao Ceará foram realizadas de bicicleta e isto prova que sua alma é liberta, limpa e artística. Assistindo ao video-documentário 'o poeta e a bicicleta'  fiquei impressionado com a riqueza cultural desse cordelista que contempla o tesouro de viver uma vida simples em louvor à liberdade. A bicicleta está presente em cada um de nós, o que se faz necessário é deixá-la nos invadir com sua grandeza multifacetária responsável por uma vida mais rica de simplicidade e alegrias. Em honra aos poetas e às bicicletas renovo aqui meu compromisso em defesa pelo uso da bicicleta para o cidadão urbano ou rural de norte a sul desse maravilhoso Brasil.