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segunda-feira, 28 de junho de 2010

Desafios no transporte urbano

Numa análise sobre a tese de doutorado da pesquisadora Flávia de Souza, na qual apresentou pontos sobre a integração de bicicletas à rede de transportes públicos, percebe-se que há pontos relevantes que precisam ser considerados e que podem contribuir para a realidade brasileira. Sua tese foi desenvolvida na Universidade de Twente, Holanda, em parceria com o programa de pós-graduação em engenharia da UFRJ e apresentado em Seminário no campus da UFRJ no primeiro trimestre de 2010. Como todo o resultado tem referência o Rio de Janeiro, não fica difícil estender muitos pontos do estudo ao restante das maiores cidades brasileiras com algumas ressalvas, claro! Ela afirma em seu trabalho que se faz necessário, além do aumento das vias para ciclistas, investir em bicicletários nas estações de trem, metrô e ônibus. A realidade foi diagnosticada em dois locais do Rio, os principais problemas envolvem a segurança nos pontos de estacionamento, distância até a estação e o alto preço do bicicletário. Para ela, também seria positivo uma iniciativa de financiamento governamental da bicicleta para a população de baixa renda com a finalidade de fazer com que um dos trechos usados em ônibus ou trem fosse realizado por bicicleta. Logicamente isso também implica numa expansão da malha cicloviária bem planejada que atenda as reais necessidades dos usuários. Flávia acredita que o povo carioca tem boas chances de aceitação desse processo pela natureza receptiva e cultura ciclísticas, não tendo preconceitos e estigmas arraigados verificados com mais intensidade em outras regiões do país quando o assunto é a bicicleta. A Secretaria de Transporte do Rio apesar de afirmar que tem a segunda maior rede de ciclovias da América Latina, Flávia assim analisa “O que temos não é malha cicloviária, são ciclovias. Malha é um sistema integrado. Ter a segunda ciclovia da América Latina já é alguma coisa sim, mas você perceba que essas vias estão próximas à praia ou na Lagoa, ou seja, está associado ao lazer, não é para bicicleta como meio de transporte do dia-a-dia”. O sistema de aluguel de bicicletas criado no ano passado no Rio de Janeiro ainda é falho e ela adverte quanto aos contínuos roubos, noutra ponta a realidade mostra sua utilização para o lazer de muitos turistas apenas. O objetivo do encontro através desse seminário, realizado na Coppe em parceira com a Cycling Academy Network (CAN), é debater as soluções para a inclusão da bicicleta como meio de transporte desenvolvidas na África do Sul, Tanzânia, Índia, Holanda e Brasil. O CAN foi fundado em 2007, na Holanda, país referência no uso da bicicleta como meio de transporte. Em 2008, representantes da instituição reuniram pesquisadores dos quatro países em desenvolvimento para acompanhar os estudos em cada região. “Não adianta trazer exemplos bem sucedidos em outros países, porque as realidades são muito diferentes”, afirmou Martin van Marrseveen, coordenador técnico do CAN. “Não estamos aqui para parar o trânsito de carros e veículos motorizados, mas sim para incluir a bicicleta como meio de transporte”.

Um comentário:

Rogério Leite disse...

Dj.. a recente descoberta do crescente interesse do uso da bike como veículo em João Pessoa reforçou a minha tese de que para que isto se torne uma realidade tem de existir um interesse natural e uma convicção profunda entre os grandes gestores sobre o assunto bicicleta como outro meio de transporte. Se o prefeito não "MONTAR" nesta idéia, nada rola! Veja os exemplos de ARACAJU, SOROCABA e agora, JP! Não sou eu ou vc que dizendo vai rolar! Nós somos aqueles que estão vendo o que acontece no mundo no assunto mobilidade e botando a boca no mundo! Mas sem eles, simplesmente não sai. E não pode ser uma solução de gabinete interessado em votos, porque ai o que sai é o que temos aqui em Recife: um lote de ciclovias abandonadas, mau conservadas e não integradas, resultado de ações interesseiras de políticos que enxergaram nelas formas de cativar os menos favorecidos para as suas pretensões. Enquanto não for uma política de estado, implantada e mantida por todo e qualquer governo que entre e saia, assim como o transporte público, a saúde ou a educação, simplesmente não vai rolar! É nisto que, INFELIZMENTE, eu acredito! Mas continuo lutando, com uma lanterna acesa, procurando aquele prefeito ou governador ou presidente que vai ter raça bastante para peitar o stablishmente e implantar tal política no Brasil! Assim como reciclagem, saúde decente, educação de primeira! Sonhos possíveis, mas por enquanto apenas isto, sonhos!