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sábado, 26 de junho de 2010

Exemplos que moram ao lado !

Outro dia estava eu realizando compras em um supermercado e, num determinado setor ao escolher certos produtos, fiquei atento por alguns minutos ao ouvir a palavra ‘bicicleta’ na conversa que se desenvolvia do meu lado entre dois senhores. Eles aparentavam cerca de sessenta e poucos anos, mas relatavam histórias com imensa vitalidade e energia. Ambos se encontravam depois de muitos anos e já estavam aposentados em suas devidas carreiras de trabalho. Falavam sobre as realizações obtidas com o trabalho, discursavam acerca de seus filhos e netos, colocavam em dia os valores da vida e, sobretudo, se reconciliavam naquele momento com os mesmos ideais que eram divergentes no passado. O que mais me chamou atenção naquele instante é que eu já havia me encontrado diversas vezes com um deles no mesmo local e algo sempre me deixava intrigado por sua presença sempre cantante com melodias suaves e alegres a todo o momento. Coincidentemente, nesse dia não foi diferente. Bem...voltando àquela abstração da conversa ‘alheia’, como disse antes, fiquei interessado quando o assunto se voltava para uma bicicleta. Aquele senhor de cabelos brancos, esguio e de bem com a vida só se constrangia quando falava de sua bicicleta como meio de transporte em suas atividades cotidianas. Ele relatava sobre as dificuldades que encontrava para guardá-la em lugar seguro, falava sobre a pressa e incompreensão dos jovens em seus carros que vêem a bicicleta como obstrução ao tráfego, colocava questionamentos de gestão pública em favor dos ciclistas e do esquecimento político sobre a utilidade da bike quanto à mobilidade urbana mais inteligente e coisas do tipo que estamos tão acostumados a vivenciar no dia a dia. Ao fim da conversa, o velho ciclista demonstrou toda sua indignação quanto ao preconceito de alguns de seus novos vizinhos. Mesmo tendo condições financeiras para andar em um bom automóvel e já possuir alguns bens imóveis que lhe deu a tranqüilidade necessária, ele não se interessava em demonstrar nenhuma ostentação pública. Segundo ele, após aderir ao uso da bicicleta em suas atividades depois da aposentadoria, alguns vizinhos já haviam lhe perguntado se era ele algum vigia ou trabalhador braçal a serviço daquela que era sua própria casa, pois o achavam estranho naquele ambiente num entra e sai de bicicleta. Ele finalizou ao outro então dizendo que a bicicleta lhe trouxe a energia de viver, mas lhe fez descobrir o quanto ainda é motivo de preconceito pela população. É fácil perceber essa realidade, a contaminação das mentes pelo capital rotulou a bicicleta como ‘coisa para pobre’ ou ‘brinquedo de rico’. Longe disso, precisamos abrir nossas mentes para o sentido da vida e não nos preocuparmos com exemplos de vidas que, muitas vezes, moram ao lado.

2 comentários:

Rogério Leite disse...

Dj... disse tudo! Neste final de semana estive em João Pessoa. E pasmei!! Dá uma olhada aqui: http://pedalandoeolhando.blogspot.com/2010/06/acorda-recife.html
Passaram a rasteira na "metrópole"!! hahahaha

DJANILSON disse...

Valeu meu caro Rogério! Sua matéria de João Pessoa ficou muito oportuna! Abç.