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quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Do passado ao futuro

Ahhhh... O tempo não pára! Por trinta anos minha vida se desenvolveu na capital alencarina de modo tranqüilo e saudoso. Diferentemente dos anos 70, hoje a cidade de Fortaleza se aproxima dos seus três milhões de habitantes e isso só me traz entristecimento. Infância e adolescência me passaram em velhos tempos de menos correria e menos movimentação frenética, mas hoje o quadro é outro e a plástica é surrealista! Quando mais jovem ficava circulando em minha estimada e inesquecível bicicleta dobrável visitando amigos, indo à escola, pedalando em busca de uma namoradinha, apreciando a simplicidade das pessoas, vivendo devagarzinho e sem pressa. A cidade inchou, a loucura metropolitana tomou de conta! Fortaleza querida, eu não lhe pertenço mais! Mudei-me para uma cidade bem menor onde tudo parecia diferente e pacato, mas eis que já sinto os primeiros sinais da repetição de um ciclo que domina o mundo contemporâneo. Aos poucos e sutilmente tudo se transforma em um novo caos urbano, pois nada pode deter o ‘crescimento’ da cidade. Aliás, costuma-se medir o grau de desenvolvimento de um lugar por sua crescente população e por sua expansão. Grande bobagem! A idéia maluca de se colocar primeiramente as pessoas e depois as suas necessidades é a alavanca do caos. Isso não funciona! Fomentam-se idéias consumistas absurdas e ilusórias que simplesmente geram a expectativa do estresse no homem moderno. Jogam-se oportunidades de consumo ao povo como se joga comida aos porcos! O incremento de automóveis pelas ruas é um exemplo de desvario de gestão pública míope e insensata. E a qualidade de vida do cidadão para onde vai? Será que está nas ruas entupidas de carros? No trânsito cada vez mais congestionado e gerador de gases tóxicos? Sinceramente o Brasil segue na contramão daqueles países que buscam um melhor estilo de vida, e isso mais uma vez me entristece. Os políticos se empenham apenas na geração de novos impostos que irrigam as tetas do poder! Meu Brasil... Acorda, levanta e anda! Na trajetória do passado ao futuro não se faz necessário o sofrimento, mas o discernimento do que é bom ou ruim!

2 comentários:

Rogério Leite disse...

Como sempre, um texto muito bem escrito para descrever uma triste realidade comum a todo o país. Precisamos mesmo manter este coro de vozes dissonantes contra a malta desenfreada do carro como solução de mobilidade individual. Um dia, conseguiremos abrir o olho dos idiotas que mandam neste país - se eles tiverem olhos para outra coisa que não meter dinheiro público no bolso! né?!

DJANILSON disse...

Vc tem razão, Rogério! Precisamos continuar nosso grito de indignação, o país um dia há de acordar!